Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

No contexto histórico-social da violência contra crianças e adolescentes, no qual se insere a violência sexual, prevalece uma cultura de dominação e de discriminação social, econômica, de gênero e de raça. O paradigma de sociedade de direitos rompe com padrões antigos, mas exige a construção de uma nova cultura de proteção e respeito aos direitos humanos da criança e do adolescente. Isto “implica em tecer relações de trocas afetivas e de aprendizagem, coibir abusos, enfrentar ameaças, proteger os vulneráveis e as testemunhas e responsabilizar os agressores” (GUIA ESCOLAR, 2004, p 11).

De acordo com o Guia Escolar (2004), a violência sexual contra crianças e adolescentes começou a ser enfrentada como problema de cunho social na última década do século XX. Assumindo relevância política e visibilidade social nos anos de 1990 e apresentando em sua análise características complexas a partir do momento em que o assunto vem sendo focalizado como questão pública e problema social, a violência sexual perde características de segredo familiar.
Na década de 1990, segundo Libório (2003) e o Guia Escolar (2004), a violência sexual contra crianças e adolescentes foi incluída na agenda pública da sociedade civil como questão relacionada com a luta nacional e internacional pelos direitos humanos. No ambiente de debates sobre o fenômeno, criaram-se os Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA), nas capitais do país. Surgiram instituições com o objetivo de oferecer atendimento especializado a vitimas de violência doméstica.

De acordo com Libório (2003), vários eventos contribuíram para destacar a questão da violência sexual contra crianças e adolescentes na mídia e pressionaram o país a se posicionar frente à exploração sexual de crianças e adolescentes, Aconteceu a partir daí, uma ampla mobilização de vários segmentos da sociedade com relação ao enfrentamento da violência sexual de crianças e adolescentes de forma que, em junho de 2000, aconteceu o encontro para a elaboração do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil, em Natal, RN.

O encontro consistiu em amplo debate e ampla elaboração que marcaram um momento importante na história da mobilização nacional na área da violência sexual contra crianças e adolescentes. O Plano Nacional foi aprovado na Assembléia Ordinária do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente – CONANDA – em 12 de julho de 2000.

Segundo a Abrapia (1997), são muitas as causas da violência doméstica contra crianças e adolescentes, dentre as quais se insere a violência sexual, como: questões sociais, culturais, econômicas, religiosas, psicológicas e psiquiátricas.

As profundas desigualdades sociais em que vivemos, segundo Guerra (1998), têm reflexos diretos na condição de vida da nossa infância e adolescência, pois as crianças foram e têm sido grandes vítimas da exploração de mão-de-obra. A infância é vítima da violência estrutural, característica de sociedades marcadas pela dominação de classes e por profundas desigualdades na distribuição das riquezas. Paralelamente à violência estrutural, muitas vezes, coexiste a violência inerente às relações interpessoais adulto-criança, assim como a violência que ocorre em razão do pertencimento a grupos sociais que vivem relações assimétricas de poder, explicitando a necessidade de reconhecermos que as dimensões de gênero, etnia, classe social e geração têm um impacto marcante sobre o cometimento da violência contra crianças e adolescentes, conforme podemos ver em Leal (2001) e Libório (2003).

Compartilhamos com Libório e Moura (2003) sua compreensão sobre o fenômeno da violência cometida contra as crianças e adolescentes, concebida como abrangendo várias situações caracterizadas pela coisificação do sujeito nas relações interpessoais, sua conversão em objetos (ADORNO,1988 apud AZEVEDO, 1989), sua destituição enquanto sujeitos de direitos e desejos, na qual a pessoa (no caso a criança e / ou o adolescente), que é um dos pólos da relação, passa por um processo de desumanização.
A violência doméstica praticada contra crianças e adolescentes, dentre a qual se inclui a modalidade do abuso sexual intra e extrafamiliar, é um fenômeno complexo e difícil de ser definido.
No que se refere a compreensão teórica da violência sexual mais especificamente, devemos ressaltar que a visão de crianças como seres puros e inocentes não ajuda muito no combate à violência sexual. O erotismo é inerente à espécie humana. No entanto, segundo o Guia Escolar (2004), é responsabilidade do adulto estabelecer a fronteira entre afeto e sexo, respeitando o desenvolvimento sexual da criança e do adolescente.

O Guia Escolar aponta que as causas da violência sexual envolvem aspectos histórico-culturais, de saúde mental, jurídico-legais, político-sociais e econômicos, que se combinam em certos indivíduos e em certos momentos históricos.

Existem leis apropriadas e claras contra o abuso sexual, porém, há muitas dificuldades no processo de notificação dos casos às autoridades competentes e de funcionamento do sistema de garantia de direitos.
Os aspectos políticos-sociais envolvem uma grande fragilidade de políticas públicas na área social, e esse é um fator crucial para a existência e persistência da violência sexual.


Faleiros (2000), aponta que podemos entender a violência sexual contra crianças e adolescentes como englobando tanto as situações de abuso sexual intrafamiliar e extrafamiliar, sem caráter comercial, diferentemente das situações de exploração sexual, nas quais a dimensão mercantil está nitidamente presente.
Nas situações de abuso sexual, crianças e adolescentes podem ser “usados” para “gratificação sexual de um adulto ou mesmo de um adolescente mais velho, baseado em uma relação de poder que pode incluir desde carícias, manipulação de genitália, mama ou ânus” (ABRAPIA, 1997, p.7).

Com relação à exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, de acordo com Libório (2003), vários autores afirmam que esse fenômeno também implica em relações abusivas de poder, marcadas pela comercialização dos corpos infantis.

Segundo esta autora, as 4 modalidades reconhecidas de exploração sexual comercial são: a prostituição, o turismo sexual, a pornografia e o tráfico para fins sexuais. De acordo com Braun (2002), a criança e o adolescente violentados sexualmente poderão sofrer conseqüências físicas: lesões físicas gerais, lesões genitais, gravidez geralmente problemáticas, DST/AIDS, disfunções sexuais e psicológicas tais como, sentimentos de culpa, auto-desvalorização, depressão, medo da intimidade quando adultos, tendência à prostituição e ao homossexualismo, negação de relacionamentos afetivos quando adultos, distúrbios sexuais, suicídio e problemas de personalidade e identidade.

Quanto aos indicadores de violência sexual, embora não sejam de fácil constatação, existem alguns comportamentos que podem ser observados em crianças e / ou adolescentes que estão sendo vitimizadas (os) pela violência sexual como: altos níveis de ansiedade; baixa auto-estima; distúrbios no sono e na alimentação; problemas no aprendizado e dificuldades de concentração; mudanças extremas, súbitas e inexplicadas alterações no comportamento da criança /adolescente; comportamento muito agressivo ou apático / isolado; regressão a um comportamento muito infantil; tristeza e abatimento profundo; comportamento sexualmente explícito ou presença de conhecimentos inapropriados para a idade; masturbação visível e contínua; brincadeiras sexuais agressivas; relutância em voltar para casa; faltar freqüentemente à escola e ter poucos amigos ... (ABRAPIA, 1997, p.28).

Martinez (2000) aponta que, de acordo com os estudos realizados em vários países, 7 a 36% das mulheres e 3 a 29% dos homens já sofreram abuso sexual na infância. Segundo a autora, em 1998 no Chile, o Ministério da Saúde constatou que as vítimas de abuso eram, em sua maioria, do sexo feminino, em uma faixa etária de 5 a 9 anos e em segundo lugar entre os 10 e 14 anos.

Em pesquisa realizada por Braun (2002), ficou evidenciado que crianças e adolescentes, desde a idade de 02 até 17 anos podem ser vitimizadas (os) pela violência sexual. De acordo com os dados obtidos pela autora, uma quantidade significativa de crianças vitimizadas pela violência sexual encontra-se na faixa etária de 10 à 14 anos (56%), seguida pela faixa etária de 5 à 9 anos (20%), de 15 à 17 anos (14%) e entre 2 e 4 anos (10 %).
adolescência, podendo ter ainda continuidade. Para os meninos, existem barreiras claras que os impedem de relatarem o abuso sexual praticado por homens mais velhos. De acordo com a Abrapia (1997), em primeiro lugar há o duplo tabu: incesto e homossexualidade, em segundo, pode ser difícil para os indivíduos do sexo masculino aceitar que não são capazes de se protegerem e em terceiro lugar, espera-se que os homens sejam autoconfiantes e que não falem de seus sentimentos para os outros. Além disto, ressaltamos ainda, a carência de cobertura da mídia em relação a meninos e adolescentes masculinos vitimizados, o que pode levar a sociedade a pensar que somente há meninas dentre os (as) vitimizados (as) sexualmente. A visibilidade do abuso e exploração sexual destes precisa ser aumentada.

Com relação ao papel da escola e do professor na prevenção e enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes, Brino e Williams (2003) enfatizam que a escola é o lugar ideal para prevenção, intervenção e enfrentamento deste fenômeno, pois deve ter como objetivo a garantia da qualidade de vida de seus alunos e a promoção da cidadania. Isto está claro no Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil (2000) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei 8069/90) cujo objetivo foi: estabelecer um conjunto de ações articuladas que permitam intervenção técnica, política e financeira para o enfrentamento da violência sexual cometida contra crianças e adolescentes. Este plano estrutura-se em torno dos seguintes eixos estratégicos: Análise da Situação, Mobilização e Articulação, Defesa e Responsabilização, Atendimento, Prevenção, Protagonismo Juvenil, Monitoramento e Avaliação.

No eixo da prevenção fica bem clara a importância da participação da escola no enfrentamento a esta problemática, pois nele é apontado o papel da escola no trabalho de educar crianças e adolescentes sobre os seus direitos e assegurar, assim, ações preventivas contra a violência sexual, no sentido de possibilitar que as crianças e adolescentes tenham apoio e sejam protegidos com ações educativas com vista à autodefesa, à conscientização e à valorização de suas etapas de crescimento. Sugere também, o trabalho com os temas transversais, principalmente os referentes à educação afetivo-sexual.
(continua no email da hotmail)

Textos para apresentação da Mini-aula [1]

A VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NAPERSPECTIVA DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO DAS ESCOLASPÚBLICAS MUNICIPAIS DE PRESIDENTE PRUDENTE LIBORIO, Renata Maria Coimbra - UNESP / P.Prudente - coimbralibor@uol.com.br CAMARGO, Luciene dos Santos UNESP / P. Prudente - luciene52@yahoo.com.br GT 23 : Gênero, Sexualidade e Educação/ n. 23 Agência Financiadora: – CNPq – PIBIC

A violência sexual contra crianças e adolescentes acontece em todo o mundo e têm mobilizado diversos segmentos sociais, no sentido de se pensar formas de enfrentamento desta cruel forma de violação de direitos.

Podemos entender esta forma de violência como englobando tanto as situações de abuso sexual intra e extrafamiliar que se caracterizam como não possuindo um caráter comercial como as situações de exploração sexual, nas quais a dimensão mercantil está nitidamente presente.

Este fenômeno nem sempre foi considerado como uma forma de violação aos direitos da criança ou do adolescente, conceito bastante atual, fortalecido a partir de 1990 no Brasil, em função da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente.

De acordo com Faleiros (2000), a violência sexual contra crianças e adolescentes sempre se manifestou em todas as classes sociais de forma articulada ao nível de desenvolvimento civilizatório da sociedade, relacionando-se com a concepção de sexualidade humana, compreensão sobre as relações de gênero, posição da criança e o papel das famílias no interior das estruturas sociais e familiares. Desta forma, devemos entendê-la “em seu contexto histórico, econômico, cultural e ético” (FALEIROS, 2000, p 17).

A escola tem compromisso ético e legal de notificar às autoridades competentes casos suspeitos ou confirmados de maus-tratos, que inclui a violência sexual. Assim, diante da gravidade que encerra a violência sexual para a criança e para o adolescente e, considerando que a escola deve ter como objetivo garantir a qualidade de vida de sua clientela, bem como promover a cidadania, surge-nos a preocupação de conhecer as concepções dos (as) professores (as), diretores (as) e coordenadores (as) pedagógicos (as) sobre o fenômeno, bem como suas atitudes frente a suspeita ou confirmação de casos de violência sexual envolvendo alunos (as).

Apresentaremos a seguir, a fundamentação teórica da pesquisa, seus objetivos, a metodologia utilizada, os resultados e conclusões da pesquisa empírica realizada. A violência sexual contra crianças e adolescente: aspectos teóricos

A violência sexual contra crianças e adolescente: aspectos teóricos
Alguns autores, como Guerra (1998), Faleiros (2000) e Libório (2003), explicam que a história social da infância em várias épocas e países nos mostra como as crianças sempre foram vitimizadas por diversas formas de violência, seja devido a concepções autoritárias e repressoras de uma sociedade paternalista, que pautaram as posturas educativas durante muito tempo, baseadas em castigos corporais, seja pela ausência de políticas públicas de proteção e atendimento de qualidade às crianças e adolescentes em situação de exclusão social, o que fica claro na realidade brasileira.

Guerra (1998) nos fala que, segundo Áries, a tese da percepção crescente da natureza especial da infância, com a consideração da infância como uma construção social, não levou à criação de um mundo melhor para as crianças, mas aconteceu o contrário: o desenvolvimento do conceito de infância se apresentou acompanhado dos mais severos métodos de educação e no transcurso do século XVII, os castigos contra as crianças se tornaram mais bárbaros.

De acordo com Guerra (1998), o psico-historiador Lloyd DeMause, também estudou sobre a história da infância e, segundo ele, essa história é um pesadelo do qual recentemente começamos a despertar. O autor aponta que quanto mais atrás regressamos na história, mais reduzido é o nível de cuidado com as crianças, maior a probabilidade de que houvessem sido assassinadas, abandonadas, espancadas, aterrorizadas e abusadas sexualmente. DeMause, apud Guerra (1998), explica que, através de seu estudo psico-histórico da infância e da sociedade, concluiu que a história da humanidade se fundou numa prática de violência contra as crianças,
Guerra (1998) nos mostra que a verdadeira história da infância tem sérios obstáculos a transpor do ponto de vista de sua reconstrução.
No entanto, juntamente com Guerra, concordamos que as dúvidas persistem e a única certeza que temos é a de que ao chegarmos aos últimos anos do século XX e primeiros anos do século XXI, nos defrontamos com este fenômeno e em números assustadores.

Continua...

Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Ano NOVO maaara =)

















Com as meninas \o/

SEMPRE bom :DD

Lari, prima BEST ♥ te amo p/sempre msmo!!

2009 chegou...

Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

"A distância impede que eu te veja, mas não impede que eu te ame." (Luiz Carlos Ijalbert)

Sábado, 20 de Setembro de 2008

Aviões do Forró em Castanhal






Forró :D

Amigos

Professores do Forró

e Muita, muita diversão \o/


Encerramento da Espofac.

• Niver do Wethe hj ;D
...

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Feliz :D

  • Um bom amigo, que nos aponta os erros e as imperfeições e reprova o mal, deve ser respeitado como se nos tivesse revelado o segredo de um oculto tesouro. (Sakyamuni).

  • As pessoas não são nobres desde o nascimento, mas se enobrecem através de suas ações. As pessoas não são medíocres desde o seu nascimento, mas tornam-se assim através de suas ações. Se existem alguma diferença entre as pessoas, então essa diferença está somente nas suas realizações. (Daisaku Ikeda).

  • Dominar-se a si próprio é uma vitória maior do que vencer a milhares em uma batalha. (Sakyamuni).

  • Viver apenas um dia ou ouvir um bom ensinamento é melhor do que viver um século sem conhecer tal ensinamento. (Sakyamuni).

  • Vale a pena cumprir bem e sem erros o dever diário; não procure evitá-lo ou adiá-lo para amanhã. Fazendo logo o que hoje deve ser feito, poder viver um bom dia. (Sakyamuni).

Domingo, 24 de Agosto de 2008

Volta as Aulas






- Amanhã volta tudo denoooovoo :/

último dia de férias =x

• Terminou os jogos ='(

Saudades das meninas =}


att rapidão ;*